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Transmissão de DSTs através de sex toys é possível?

Desde algum tempo atrás, quando as doenças sexualmente transmissíveis (nos dias de hoje chamadas tecnicamente por infecções sexualmente transmissíveis) não eram plenamente conhecidas, já se existia a preocupação de outras vias de transmissão que elas podiam assumir além do ato sexual em si.

Por exemplo, na crise máxima da AIDS, quando já se sabiam que o vírus era transmitido sexualmente, houve um forte lobby das empresas de bancos de sangue para desacreditar que o HIV também conseguia infectar as pessoas através de transfusão de sangue, transplantes e instrumento cirúrgicos.

Mesmo outras IST’s em diferentes épocas passavam despercebidas das ações e das prevenções em saúde: por muito tempo não se soube da transmissão congênita da bactéria da sífilis, deixando vulnerável muitos bebês e crianças que nasciam com sequelas devido à doença (isso mesmo depois da descoberta e uso do antibiótico no tratamento da moléstia).

Os agentes infecciosos da gonorréia, assim como os vírus HPV e herpes, entre tantas outras IST’s conseguiram alcançar muitas vias de transmissão, infectando muitos hospedeiros susceptíveis não exclusivamente pela via sexual, mas por outras vias oportunas que estes agentes encontravam conforme os fatores envolvidos em suas dinâmicas de transmissão: o objetivo é sobreviver, e para isso é necessário que o agente presente em um hospedeiro infectado ”pule” para um novo hospedeiro susceptível, para nele se multiplicar, para depois buscar um novo hospedeiro susceptível, para se multiplicar novamente, seguindo assim continuamente o ciclo de transmissão (até uma intervenção humana quebrar esta corrente, a partir de remédios, vacinas e outros métodos de combate a ISTs).

Todavia, até mesmo no ato sexual estes agentes podem achar uma via de transmissão, mas não necessariamente na relação sexual direta, ou seja: não diretamente na fricção e contato entre mucosas, que leva a troca de fluídos entre indivíduos (fluídos estes que contêm cargas de vírus, bactérias, protozoários, etc).

No contexto acima, há os casos que as IST’s são transmitidas justamente por brinquedos sexuais (sex toys, vibradores, e utensílios utilizados no sexo): ou seja, não é por contato direto entre as mucosas das pessoas envolvidas, mas sim por algum veículo ou vetor que possa propagar o agente infeccioso entre os indivíduos.

Esse veículo que leva e traz o patógeno entre indivíduos é justamente o brinquedo sexual: ao ser utilizado sem preservativo, toda a secreção e fluídos de um indivíduo ficará fixada no brinquedo, levando junto agentes infecciosos presentes no organismo daquele que fez uso do brinquedo sexual.

A pessoa que em seguida fazer uso deste sex toy estará exposta ao fluído, junto nele toda a carga de patógenos, podendo assim se infectar (considerando que há carga de agente infeccioso no fluído corporal, isto dependendo do estágio da infecção da pessoa).

É tão evidente a transmissão a partir de brinquedos sexuais que é sabido que no sexo entre mulheres que usam vibrador, as chances de transmissão de um agente infeccioso de natureza sexual é muito maior do que entre aquelas que não fazem uso deste mesmo instrumento.

Com o compartilhamento do vibrador por estas duas mulheres, por exemplo, se uma tiver com carga elevada de vírus, bactéria ou protozoário, certamente a outra estará exposta as possíveis doenças que eles podem manifestar (lembrando bastante a dinâmica de agentes causadores de doenças que podem ser transmitidos por drogas injetáveis, por exemplo).

A situação é tão delicada que, por exemplo, um homem que faça sexo com duas mulheres (ou com outros dois homens) usando a mesma caminha em ambos pode ser o veículo de infecção entre as pessoas participantes do ato sexual: aquele que usar a camisinha estará protegido, mas os outros dois não.

Por causa disso, toda a vez que você for compartilhar algum brinquedo sexual, sempre se previna: a higiene destes utensílios deve ser exemplar, mantendo-os limpos (lavando com água e sabão basta, entretanto álcool ser mais eficaz na eliminação de agentes infecciosos).

No meio do sexo pode ser bem chato ficar correndo no banheiro para ficar lavando o utensílio: para evitar estes momentos constrangedores pode-se utilizar neles proteção quando uma pessoa for fazer o uso do sex toy; quando o próximo for usar, retire o preservativo utilizado e coloque um novo.

Estas simples medidas de prevenção fazem toda a diferença para a prática do sexo saudável, além de mostrar respeito e segurança para com aqueles que estão próximos (principalmente os parceiros sexuais, onde a intimidade é tão significativa que chegamos a conhecer a pessoa.. por dentro!).