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Sífilis

Considerada uma das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) mais antiga do mundo, a sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum (subespécie pallidum), sendo atualmente este patógeno, e sua respectiva enfermidade, bem controlável a partir de tratamentos acessíveis, estes utilizando antibióticos.

Entretanto, ao longo da história da humanidade, nem sempre foi assim a interação entre Homo sapiens e Treponema pallidum.

Essa IST é tão antiga e acompanha o homem há bastante tempo, já que há indícios da circulação de sífilis na América pré-colombiana: ou seja, a doença já existia no continente americano antes da chegada dos europeus no século XIV, o que sugere (uma das hipóteses) que ela acompanhou os seres humanos que colonizaram o continente em um tempo anterior à chegada de Cristóvão Colombo, o conquistador da América: o grande marco do período das grandes navegações.

Tem-se muitos estudos que sugerem que a Europa foi contaminada por sífilis justamente pelo tráfego iniciado por Cristóvão Colombo, que levou indivíduos infectados da América para a Europa. Entretanto também existem evidências de que a doença já circulava no continente europeu, mas não era reconhecida como tal (já que a descrição de seu agente etiológico só seria feita quase 400 anos depois destes eventos, no início da década de 1900, depois de bastante bagagem desenvolvida pela descoberta do universo dos microorganismos).

No período que se configura entre a chegada de Colombo na América até à descrição da biologia da doença, existiu uma série de epidemias de larga escala na Europa, fazendo com que a sífilis ganhasse status de preocupação das autoridades, sem ao menos estas saberem as causas: por muito tempo populações e povos de regiões específicas foram culpados pela disseminação da enfermidade, como os franceses - por algum tempo a doença foi chamada de “’doença dos franceses” -, estes que por sua vez chamavam-na de “doença dos napolitanos” (italianos), assim também como os russos chamavam-na de “doença dos poloneses”, e os portugueses de “doença dos espanhóis”*, isto seguindo um padrão comportamental bastante comum na nossa espécie: de sempre culpar terceiros pelos males do mundo.

Com a identificação do organismo responsável pela infecção, isso feito pelos alemães: o zoólogo Fritz Schaudinn e o médico Erich Hoffmann em 1905; isto seguido pela implementação do antibiótico nas décadas seguintes, a sífilis (assim como outras muitas doenças causadas por bactérias) tiveram um sistemático controle, e cada vez mais pessoas a viram como uma enfermidade tratável ao invés de castigo divino, por assim resultando em campanhas de saúde e guias para tratamentos eficazes, em especial usando o poderoso benzetacil, até hoje usado no tratamento da doença (apesar de já existirem muitas espécies bacterianas resistentes a este fármaco).

Vale também citar que antes do advento do antibiótico, era utilizado para o tratamento da sífilis o elemento “bastante inócuo”: mercúrio, este que no fim resultava em um desfecho totalmente prejudicial, às vezes muitos mais que a infecção pela bactéria.

Quanto à manifestação clínica, assim como outras IST’s, a sífilis pode apresentar longos períodos de incubação e sem sintomas aparentes, assim fazendo que o portador da doença não saiba que está infectado (o famoso assintomático).

Conforme a biologia da infecção da bactéria nos seres humanos, a infecção pela sífilis é classificada em quatro diferentes estágios: o primário, o secundário, o latente e o terciário.

O primário corresponde à primeira manifestação pós-infecção, normalmente com uma ferida ou lesão característica, a qual não apresenta dor e coceira, ou outra irritação aparente, podendo fazer com que a pessoa ignore a procura médica; na fase secundária manifestações mais severas ocorrem, como manchas avermelhadas na pele, nas palmas da mão e nas solas dos pés, inclusive com presença de feridas na boca; a fase latente é aquela em que a sífilis não manifesta sintoma (sintomas mínimos, e que não fazem a pessoa procurar ajuda médica), e que podem perdurar mais de anos sem respectiva manifestação, todavia a pessoa é potencialmente infectante; por fim, na fase terciária pode ocorrer agravamento do quadro, como o caso da sífilis neurológica, ou ainda atingir outros órgãos vitais (como o coração).

Tal qual como outras IST’s, a melhor maneira de prevenir esta enfermidade é através da proteção: sexo seguro utilizando preservativos, e também evitar sexo oral direto: contato das mucosas da boca com o órgão genital, já que esta via também é considerada transmissão para sífilis.

Outra nota importante é que esta doença pode ser transmitida verticalmente, ou seja, da gestante para o recém-nascido: a chamada sífilis congênita pode causar má formação no bebe, como casos de cegueira, deformações na região da cabeça e em outros membros: é por causa disto que esta é uma das enfermidades presentes nos exames de pré-natal.

*Tampa M, Sarbu I, Matei C, Benea V, Georgescu SR. Brief history of syphilis. J Med Life. 2014;7(1):4–10.